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Na polícia, no carro, no aeroporto, o reconhecimento facial já não é ficção

No Laboratório de Polícia Científica, Joaquim Rodrigues faz identificação de suspeitos com softwares de reconhecimento facial02

Na China há casas de banho públicas que utilizam o reconhecimento facial para despender papel higiénico, evitando que seja usado em excesso. Na Rússia, uma fotografia tirada a alguém na rua permite saber quem é a pessoa e contactá-la. Tudo graças a softwares de reconhecimento facial, que hoje também são usados para abrir portas, fazer pagamentos e check-in em aeroportos, pedir empréstimos, desbloquear smartphones ou identificar terroristas. É uma tecnologia cada vez mais ao serviço do cidadão, mas se, por um lado, promete velocidade, autonomia e segurança, por outro suscita algumas questões: está a privacidade de cada um a ser devassada? E, desta forma, como é possível fazer o controlo da sociedade?

Em Portugal, por exemplo, o reconhecimento facial é usado pelo Laboratório da Polícia Científica para controlo de cidadãos estrangeiros nos aeroportos. Mas o professor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro António Neves diz que já há algum trabalho da indústria portuguesa nesta área, nomeadamente da empresa Exclusivkey, que estuda o acesso de massas a recintos através desta tecnologia.

De acordo com o investigador, que se tem dedicado a este tema, existem essencialmente duas grandes áreas de aplicação destes softwares. Por um lado, explica, o reconhecimento facial permite fazer “a verificação da identidade, se o utilizador é quem diz ser”, por exemplo, nos casos em que esta tecnologia é utilizada para desbloquear smartphones e outros equipamentos ou na indústria automóvel, para garantir que o condutor está autorizado a usar aquele carro. Além disto, permite também “fazer o reconhecimento de um em muitos. Isto é, saber se alguém está em determinado grupo num determinado local”. António Neves destaca que as grandes potencialidades do reconhecimento facial são “a rapidez nos processos de verificação e a capacidade de ter sistemas autónomos”. Em ambientes controlados, avança, “há sistemas que têm uma taxa de sucesso de reconhecimento de 97% a 98%, muito próxima dos 100%”. Mas se a foto de referência tiver cinco anos ou se o rosto da pessoa estiver parcialmente coberto, “as taxas já baixam drasticamente”, alerta.

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