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O terrorismo fez com que o reconhecimento facial evoluísse mais rapidamente

Quando se fala em tecnologias de reconhecimento facial, Joaquim Rodrigues, diretor do departamento de identificação judiciária do Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária, diz que a margem de manobra para o uso da técnica do reconhecimento facial está longe de atingir um limite. E espera que neste ano se possa usar uma nova aplicação nesta área.

Como é que o Laboratório de Polícia Científica usa a técnica do reconhecimento facial?

Trabalhamos no retrato robô, na aquisição daquilo a que chamamos os clichês, que é a base de dados de fotografias associada à base de dados de impressões digitais, e na sobreposição craniofacial, em colaboração com antropólogos. Quando recebemos uma pessoa na galeria, fazemos a fotografia da mesma em determinadas posições previamente definidas. Essas fotografias são arquivadas e servem para fazer os reconhecimentos, associadas ao sistema de impressões digitais. No futuro – espero que ainda neste ano – será possível ir buscar pessoas à base de dados. Através das fotografias de uma câmara de vigilância, podemos procurar a pessoa na base de dados. O futuro será este. Tirar os rostos dos suspeitos e cruzá-los com as bases de dados. O segredo é que estejam bem construídas e de acordo com os protocolos.

Como é que funciona o sistema na reconstituição craniofacial?

A partir de um crânio limpo (sem matéria mole), estudamos a compatibilidade entre o crânio e a fotografia, sobrepondo-os para dar uma probabilidade de a pessoa da fotografia ser a do crânio. Pode ser importante para identificar cadáveres e como complemento de análises de ADN.

E o retrato robô?

Tem sido muito solicitado, particularmente nos crimes sexuais. É um crime em que há contacto direto muito próximo. É uma das formas de reconhecimento facial e de identificação humana.

O que permitem estes sistemas?

Dão-nos os indivíduos mais parecidos. Não diz que o indivíduo A é o da fotografia, mas indica quais são os mais parecidos. Dá uma lista de dez, vinte, trinta pessoas. As bases de dados funcionam assim e não como se vê nos filmes, onde aparece o nome do indivíduo e os seus dados. Depois há sempre a intervenção do perito, que vai analisar se é ou não. Estamos a acompanhar o desenvolvimento de um sistema em França que permite, a uma grande distância, ir à base de dados procurar os indivíduos que podem ser concordantes.

São também usados como prevenção?

Exatamente. Entra-se na fronteira entre a prevenção e a vigilância de espaços públicos. Mas, neste caso, as imagens são cedidas e trabalhadas nos softwares na sequência de ocorrências. É prevenção, mas reativa. Só como necessidade da investigação é que se vai fazer a triagem destas imagens.

Há uma grande margem de progressão nesta área?

Temos grandes expectativas em relação aos sistemas que estão a ser desenvolvidos. As câmaras de vigilância e os softwares têm cada vez mais qualidade, o que nos dá um potencial enorme de identificação de pessoas das quais não temos outras provas. O segredo está nas bases de dados. Há uma margem de progressão muito grande. Infelizmente, as tecnologias andam um pouco atrás dos fenómenos criminais. Foram os fenómenos ligados ao terrorismo que potenciaram o desenvolvimento destas ferramentas. O centro de Londres está praticamente coberto com câmaras de vigilância, Paris tem milhares. A margem de manobra é ilimitada. Estamos longe do limite.

Não está em causa a privacidade dos cidadãos?

A captura das imagens tem de ser feita de acordo com a legalidade. As câmaras de vigilância têm de estar legais e as imagens são usadas por nós dentro do âmbito de uma investigação. Não podemos usar as imagens de uma câmara que não esteja legalmente instalada.

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